A São Paulo Fashion Week (SPFW) já é consolidada como o evento mais importante da moda brasileira e latino-americana, e a edição de 2024 não é exceção. A presença de figuras como Maya Massafera e GKay nas passarelas, embora atraente para o público geral, levanta questões sobre a superficialidade que permeia o evento ano após ano.
Maya Massafera abriu a semana de moda paulistana no icônico Museu do Ipiranga, desfilando para o estilista Gustavo Silvestre. Já GKay caminhou na passarela da grife Renata Buzzo usando look inspirado no famoso sutiã de cone usado por Madonna na The Blonde Ambition Tour.
Ambas foram duramente criticadas pelo caminhar robótico, falta de personalidade na passarela e, não menos importante, por estarem tomando lugar de profissionais experientes que lutam todos os anos para conseguir serem escalados nos desfiles.
Em vez de ser um espaço dedicado à criatividade e inovação dos designers, a SPFW se transformou em um espetáculo de celebridades, onde o foco parece estar mais na fama das participantes do que nas coleções apresentadas.
As interações nas redes sociais, muitas vezes dominadas por memes e posts divertidos, revelam que a atenção está voltada para o glamour das estrelas, e não para as propostas estéticas que deveriam ser o centro do evento.
Esse fenômeno não é isolado – é parte de uma tendência preocupante na indústria da moda, onde a validação se dá através do número de seguidores e da popularidade das personalidades em vez da qualidade e originalidade do trabalho dos designers.
A moda deveria ser um reflexo da arte e da cultura, mas, ao priorizar celebridades, a SPFW corre o risco de se tornar um mero desfile de entretenimento, perdendo sua relevância como um espaço de inovação.
Além disso, a tentativa de democratizar o acesso à moda por meio de transmissões digitais e conteúdo nas redes sociais pode ser vista como uma estratégia de marketing que não necessariamente enriquece a experiência do público.
Ao invés de promover um verdadeiro diálogo sobre estilo e estética, a SPFW se transforma em uma plataforma para o consumo rápido e superficial, onde a profundidade das coleções é eclipsada pelo brilho das estrelas.
Em última análise, a SPFW 2024 precisa reavaliar sua direção. Se continuar a priorizar a fama sobre a arte, corre o risco de se tornar irrelevante em um cenário que já possui várias alternativas que valorizam a criatividade genuína.