Quem é Everaldo Marques? O narrador que saiu da ESPN para virar a voz da Copa na Globo

Durante muitos anos, Everaldo Marques parecia “especialista demais” para ocupar o principal microfone do futebol brasileiro. Falava de NFL, NBA, beisebol, Olimpíadas, Fórmula 1 e modalidades que, até pouco tempo atrás, eram consideradas nichadas na TV esportiva nacional. Mas foi justamente essa versatilidade que transformou o narrador na nova voz da Copa do Mundo da Globo.

A escolha de Everaldo para liderar a cobertura do Mundial de 2026 acontece em um momento simbólico da televisão esportiva brasileira: pela primeira vez em décadas, a principal voz da Copa não nasce apenas do futebol tradicional, mas também da cultura da internet, dos memes, das transmissões virais e da linguagem mais próxima do público jovem.

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E talvez esse seja o grande diferencial dele: um profissional que ganhou notoriedade longe do futebol, numa emissora extremamente nichada, a ESPN. Na Copa do Mundo de 2026 ele estará no principal microfone esportivo do Brasil e narrará os jogos da seleção brasileira na Globo. A missão foi concedida após a saída de Luís Roberto, com problemas de saúde.

Everaldo Marques “falava com a internet” antes da TV entender isso

Muito antes de as emissoras apostarem em linguagem descontraída, cortes virais e interação digital, Everaldo Marques já criava uma conexão espontânea com o público. Não porque tentava virar meme, mas porque parecia genuinamente se divertir narrando esporte.

Expressões como “Ridículo!”, “Dormir é para os fracos!” e “Miga, sua louca!” viralizaram justamente porque quebravam um padrão antigo da narração esportiva: o da formalidade excessiva.

Enquanto muitos narradores buscavam distância e imponência, Everaldo aproximava o telespectador da transmissão.

Isso começou ainda nos tempos de ESPN Brasil, onde ele virou referência nas transmissões de NFL e NBA. Na época, o público que acompanhava esportes americanos no Brasil era muito conectado à internet e às redes sociais. Sem perceber, o narrador acabou desenvolvendo uma linguagem mais rápida, pop e adaptada ao consumo digital, algo que hoje virou praticamente obrigatório na televisão.

Quem é Everaldo Marques?

Everaldo Marques nasceu em São Paulo, em 29 de julho de 1978, e começou a carreira no rádio, passando pela Jovem Pan e pela TV Cultura antes de ganhar projeção nacional.

O grande salto aconteceu na ESPN Brasil, onde trabalhou por cerca de 15 anos e se tornou um dos profissionais mais versáteis da emissora. Narrava futebol, esportes americanos, Olimpíadas, MMA, tênis e praticamente qualquer modalidade que aparecesse na escala.

Nos bastidores, ganhou fama pela preparação intensa e pela capacidade de estudar profundamente esportes diferentes. Colegas frequentemente citavam o nível de detalhamento que ele levava para as transmissões.

Essa característica ajudou a consolidar uma imagem rara na TV brasileira: a de um narrador que misturava entretenimento com informação técnica sem parecer artificial.

A chegada à Globo e a mudança de geração

Quando deixou a ESPN para assinar com a Globo, em 2020, muita gente enxergou a contratação como uma tentativa da emissora de se aproximar de um público mais jovem e digital.

Everaldo chegou inicialmente cercado pela sombra de nomes históricos como Galvão Bueno, Cléber Machado e Luís Roberto. Mas, aos poucos, construiu espaço próprio, sem nunca tentar copiar os narradores clássicos da Globo.

Ao contrário: manteve o jeito espontâneo, os comentários bem-humorados e a identidade criada ao longo dos anos na TV fechada. Isso fez com que muitos torcedores passassem a enxergá-lo como um símbolo de renovação da narração esportiva brasileira.

Mas é importante ressaltar que sua chegada já fazia parte dos planos da emissora em entrar de vez nos esportes americanos, como NBA e NFL.

Agora, com a responsabilidade de narrar a Copa do Mundo, essa transformação parece completa.

O detalhe que ajuda a explicar o sucesso dele

Talvez o ponto menos explorado sobre Everaldo Marques seja justamente o fato de ele representar uma geração inteira de fãs “multiesporte”.

Enquanto antigos narradores se conectaram quase exclusivamente com futebol, Everaldo cresceu sendo a voz de quem passava madrugadas vendo NFL, acordava cedo para Fórmula 1, acompanhava NBA e consumia esporte como entretenimento global.

Isso ajudou a construir um narrador menos preso ao protocolo e mais conectado à cultura da internet.

No fim das contas, a ascensão dele à principal cabine da Copa talvez diga menos sobre uma troca de narradores — e mais sobre como mudou o jeito do brasileiro consumir esporte.

Publicado por Diogo Massa

Jornalista profissional, com domínio de técnicas de SEO e atuação em redações dos veículos mais tradicionais de Santa Catarina. Atuou como repórter, editor, editor-chefe, coordenador e gerente de conteúdo em portais de notícia de grande audiência. Fundador e redator do Viralizou.net. Escreve sobre Entretenimento, influenciadores e atualidades no mundo da internet e redes sociais.