Do like ao BO: 7 Influenciadores que já foram parar na mira da polícia

Ostentação, publicidade ilegal e investigações complexas: entenda os casos de Deolane Bezerra, Toguro e outras celebridades da internet que cruzaram a linha da esfera policial

O mercado da influência digital no Brasil movimenta bilhões de reais, transforma anônimos em celebridades e vende um estilo de vida focado no luxo e no sucesso instantâneo. No entanto, a mesma notoriedade online que atrai contratos publicitários tem, com frequência, acendido o alerta das autoridades. Alguns influenciadores enfrentam os dois lados da moeda: da glória à polícia.

Um levantamento recente realizado pelo Correio Braziliense mostrou como grandes nomes das redes sociais acabaram trocando os estúdios de gravação por delegacias, presídios e tribunais.

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Os motivos que levam criadores de conteúdo à mira da polícia são diversos: vão desde acidentes trágicos e burocracias internacionais até investigações complexas envolvendo estelionato, jogos de azar e suspeitas de ligação com o crime organizado.

Abaixo, veja os sete casos de maior repercussão, os dados jurídicos disponíveis e a situação atual de cada um dos envolvidos.

1. Deolane Bezerra: Da ostentação às operações policiais

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra é, sem dúvidas, o caso mais emblemático de colisão entre a fama digital e a página policial. Recentemente, em maio de 2026, Deolane foi detida no âmbito da Operação Vérnix, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa PCC.

Essa, contudo, é apenas a mais recente de suas batalhas judiciais:

  • Setembro de 2024: A influenciadora passou 20 dias presa durante a Operação Integration, uma investigação que mirava esquemas de jogos ilegais e lavagem de capitais;

  • Ano de 2022: Sua primeira grande menção no noticiário policial ocorreu quando foi alvo de mandados de busca e apreensão por promover e divulgar plataformas de apostas esportivas sob suspeita de irregularidades.

O outro lado: Por meio de sua defesa e de pronunciamentos oficiais, Deolane Bezerra sempre negou veementemente qualquer envolvimento com atividades ilícitas, afirmando ser alvo de perseguição devido à sua projeção pública. No caso mais recente, alegou ter sido presa no exercício da profissão de advogada.

2. Tiago Toguro: Tragédia no trânsito e isenção de culpa

O influenciador do nicho fitness e criador da “Mansão Maromba”, Tiago Toguro, viu seu nome estampar as manchetes policiais em março de 2023 devido a um trágico acidente automobilístico na Linha Amarela, na zona norte do Rio de Janeiro. Toguro estava ao volante de seu carro quando houve uma colisão com um motociclista, que infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

O caso foi inicialmente registrado e investigado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

Após perícias e análise do ocorrido, as investigações da Polícia Civil concluíram que o motociclista realizou uma mudança de faixa imprudente na via, colidindo contra o veículo do influenciador. Com isso, Toguro foi isento de responsabilidade criminal pelo acidente.

3. Ramon Dino: Burocracia e susto em aeroporto americano

Um dos atletas mais prestigiados do fisiculturismo mundial, o acreano Ramon Dino experimentou a rigidez das autoridades norte-americanas em março de 2024. O atleta foi detido temporariamente por algumas horas ao desembarcar em um aeroporto nos Estados Unidos.

O motivo da abordagem foi o transporte de medicamentos de uso controlado na sua bagagem. Embora os medicamentos fossem parte de sua rotina de preparação física, Dino não portava a receita médica com a devida tradução juramentada exigida pela alfândega local.

Após prestar esclarecimentos e comprovar a finalidade médica das substâncias, o fisiculturista foi liberado pelas autoridades americanas sem maiores sanções, mas o episódio viralizou e gerou intensa repercussão nas comunidades esportivas.

4. Pétala Barreiros: Disputas familiares que escalaram para a Justiça

A trajetória da influenciadora Pétala Barreiros no ambiente policial está diretamente ligada aos desdobramentos de seu antigo relacionamento com o empresário Marcos Araújo, dono da AudioMix. O término conturbado do casal gerou uma série de processos na Vara de Família que acabaram transbordando para a esfera criminal.

Entre acusações mútuas transmitidas quase em tempo real nos Stories do Instagram, o caso movimentou delegacias e tribunais com o registro de múltiplos boletins de ocorrência, depoimentos e pedidos de medidas protetivas de urgência. O imbróglio judicial tornou-se um exemplo de como conflitos privados de celebridades podem sobrecarregar o sistema público de segurança.

5. Lucas Pinho: A investigação por trás do “Golpe do PIX”

Conhecido nas redes sociais por ostentar carros importados, viagens caras e maços de dinheiro, o influenciador Lucas Pinho virou alvo de uma investigação da Polícia Civil do Estado do Ceará. A suspeita que recai sobre o criador de conteúdo é de estelionato e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, Pinho atuava como uma das principais faces de divulgação do chamado “Golpe do PIX”. O esquema consistia em uma pirâmide financeira disfarçada, que prometia aos seguidores lucros multiplicados e retornos financeiros exorbitantes em poucos minutos após a realização de transferências bancárias para contas indicadas pelo grupo.

6. Divulgadores da Blaze: A fronteira dos jogos de azar

O avanço dos chamados cassinos online colocou diversas celebridades de primeira grandeza na mira de inquéritos policiais. Nomes de peso como a ex-BBB Viih Tube, a influenciadora Juju Ferrari e o criador de conteúdo Jon Vlogs foram formalmente citados em investigações que apuram a publicidade em torno da plataforma “Blaze”.

A polícia brasileira investiga os contratos de patrocínio e a responsabilidade civil desses influenciadores ao promoverem jogos como o “Crash” (foguetinho) e o “Double”. No Brasil, a exploração e a promoção de jogos de azar sem regulamentação nacional ainda são tipificadas como contravenção penal, o que forçou muitos desses influenciadores a romperem publicamente seus vínculos com o site após o início das investigações.

7. Acelino Popó Freitas: Blitz e apreensão de carro de luxo

Até mesmo lendas do esporte nacional já tiveram seus momentos de fricção com as forças de segurança. O tetracampeão mundial de boxe Acelino “Popó” Freitas teve seu carro de luxo temporariamente apreendido pela polícia em Belém, no Pará, em outubro de 2023.

O ex-pugilista foi abordado por agentes de trânsito durante uma grande blitz montada para coibir os chamados “rolezinhos” — eventos combinados pelas redes sociais onde motociclistas realizam manobras perigosas e barulhentas pelas vias públicas. Popó estava acompanhando o movimento quando foi parado; seu veículo apresentou irregularidades administrativas na documentação durante a fiscalização, resultando no guincho do automóvel até a regularização.

Outros influenciadores que tiveram problemas com a polícia

8. Nego Di: Prisão por estelionato

O humorista, ex-BBB e influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido amplamente como Nego Di, foi preso pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em julho de 2024. Ele se tornou o principal alvo de uma investigação que apura crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e fraude.

De acordo com o inquérito policial, Nego Di utilizava sua forte presença nas redes sociais para promover uma loja virtual de eletrodomésticos da qual era sócio. O esquema funcionava vendendo produtos como televisores e aparelhos de ar-condicionado por preços muito abaixo do mercado. No entanto, a polícia constatou que os produtos jamais eram entregues, deixando centenas de seguidores no prejuízo financeiro. A movimentação ilícita estimada na época passava da casa dos milhões de reais.

9. Renato Cariani: Operação Anabolizantes e desvio de produtos químicos

Um dos maiores nomes do cenário fitness e do empreendedorismo de suplementação no Brasil, Renato Cariani foi indiciado pela Polícia Federal no final de 2023 e virou réu no início de 2024 em uma operação de grande escala. Embora não tenha ficado preso preventivamente por longos períodos, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão e restrições judiciais severas.

A investigação da Polícia Federal apontou que uma empresa química da qual Cariani é sócio estava envolvida em um esquema de desvio de produtos químicos (como puro éter etílico, acetona e ácido clorídrico). Segundo as autoridades, essas substâncias — que deveriam ter destinação industrial lícita — eram supostamente desviadas para abastecer o mercado ilegal de refino de drogas e produção de crack e cocaína. O influenciador nega as acusações e sua defesa alega que ele não tinha controle operacional sobre as vendas fraudadas por terceiros.

10. “Sheik dos Bitcoins”: Fraude bilionária

Embora sua prisão inicial tenha ocorrido no final de 2022, o caso do influenciador e empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido na internet como o “Sheik dos Bitcoins”, continuou movimentando tribunais e prisões com novos desdobramentos e negativas de liberdade ao longo de 2023 e 2024. Ele ostentava uma vida cinematográfica nas redes para atrair investidores.

O influenciador era acusado de comandar uma organização criminosa que aplicava golpes baseados em falsos investimentos com criptomoedas. Prometendo rendimentos mensais fixos absurdos (que chegavam a 20% do valor investido), ele conseguiu atrair milhares de vítimas, incluindo jogadores de futebol famosos, modelos e outros influenciadores de grande porte. O prejuízo estimado causado pelo esquema passou da impressionante marca de 4 bilhões de reais, consolidando o caso como uma das maiores pirâmides financeiras da história recente do país.

Publicado por Diogo Massa

Diogo Massa é jornalista e analista de comportamento digital. Editor e redator do viralizou.net, é especializado na cobertura Evergreen de criadores de conteúdo, tendências das plataformas digitais e histórias de impacto que movem as redes sociais.